Publicado por: diegosbb | Agosto 7, 2008

Deixar o telefone fora do gancho

           Você gosta que seus amigos lhe telefonem, que seus parentes possam falar com você, que seus clientes solicitem seus serviços ou que seus amigos se comuniquem com você. Somos todos parecidos nesse sentido, mas ficamos também irritados com a intrusão do telefone, sua irrupção inesperada a qualquer momento, com o modo como interrompe qualquer atividade e estraga qualquer conversa ou meditação.
           Experimente deixar o telefone fora do gancho. Desligue o celular, tire a tomada da parede, tenha certeza de que ninguém vai telefonar. Fique assim o tempo que for necessário. Não use rápido demais essa calma garantida. Antes de mergulhar no trabalho descanse um momento para gozar da sensação que experimenta por saber que o telefone está fora do gancho.
           Às vezes é uma verdadeira satisfação: você está enfim fora de alcance, tranqüilo, livre para fazer o que quiser sem ser interrompido. Mas, por outro lado, pode tornar-se uma inquietação: e se houver uma emergência? Um incidente grave? Um acidente? Outras vezes você se sente culpado: as pessoas que querem falar com você nem poderão deixar um recado, simplesmente porque você prefere ficar confortável e não encarar suas exigências. Será que isso é correto?
          Depois, um tipo de revolta, a intuição de uma rebelião mínima pelo tempo em que você ficou permanentemente conectado. Tornou-se tão normal estar conectado, tão indispensável estar ligado, que cortar a linha pode parecer uma necessidade de partir, um primeiro passo descontrolado, o risco elementar da liberdade. É, ao mesmo tempo, e você também sente isso, uma regressão ao estado selvagem, um comportamento anti-social, uma solidão profunda. Você se pergunta sobre o que fazer.
           Talvez telefonar a um centro de ajuda especializado?


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